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A Proventriculite
(Gastrite Crónica Micótica - Micose 80)
Luís Pires, Ovar - C.N. nº. 736-B
Presidente do Clube Ornitológico Português
luispiresreis@mail.telepac.pt
| Eventualmente, caro amigo ornitófilo, terá
já convivido com esta terrível doença micótica, originada por fungos que se formam
pela excessiva humidade ambiente, deteriorando
as papas humedecidas, as sementes e outros
elementos componentes alimentares das nossas aves de cativeiro, e, por muitos
antibióticos que utilizemos, apenas um deles é eficaz - a Amfotericina B a 10%, que em
Portugal infelizmente não é comercializada, apenas utilizada em injectáveis
hospitalares. Este componente farmacêutico (para humanos) é comercializado em Itália com a denominação de FUNGILIN e em França com a designação de FUNGIZONE, sendo administrado 14 dias, à razão de 1 ml por litro de água, ou uma a duas gotas por bebedouro de 60 ml. Normalmente só se conseguem obter através de receita médica ou veterinária dos mesmos países. É particularmente indicada também nas Candi-dioses e outros fungos gastro-micóticos. Sei também que no Brasil, têm utilizado, com êxito !? - a Nistatina, comercializada com a denominação de MICOSTATIN,do mesmo laboratório anterior, na mesma dosagem. Há indicações da utilização em Espanha (e em Portugal) do Ketoconazol, comercializado com a denominação de PANFUNGOL, mas, e por experiência própria, sei ser apenas eficaz nas Candidioses. Tive noção exacta de lidar com esta doença fúngica quando em finais de 1997 adquiri um casal de Frisados Parisienses, de origem Italiana, que me custaram uma pequena fortuna, e que vinham já contaminados com a Proventriculite, em fase de desenvolvimento.Como então desconhecia o fármaco atrás referido, apenas tive oportunidade de utilizar um bom Probiótico (Fermentos Lácteos associados a cultivos laboratoriais anti-fúngicos e anti-bacterianos), que, sabendo eu não ser a cura, mas sim um bom preventivo, viabilizou a sobrevivência do casal por cerca de 2 meses, morrendo então primeiro o macho, e 15 dias depois a fêmea, ambos num estado de magreza acentuada. Esse estado de magreza deve-se ao facto de que o proventriculo das aves (pequeno "tubo" de passagem dos alimentos, imediatamente após do papo), face à ausência de enzimas ácidos, acaba por apresentar um pH neutro, inibindo desta forma a actividade da pepsina, enzima gástrico responsável pela degeribilidade das proteínas, pois só o consegue fazer em meio ácido. Na falta da absorção das proteínas ingeridas na alimentação, as aves vão emagrecendo lentamente, até à morte. Desde essa altura que tenho estudado a fundo este tema, quer em longas conversas com o Mestre Manuel Gonçalves, que também teve já contactos com esta doença, conseguindo o seu tratamento eficaz, com o fármaco atrás descrito, quer através da análise estudiosa de pequenos artigos, desde a brochura dos Laboratórios Moureau Ornithologie, distribuida pela Companhia Portuguesa de Higiéne, em escritos do grande Ornitólogo D. Alfonso Babra Garcia, também do Dr. Santiago Noval Melian, juiz F.O.C.D.E., pela Fundação Loro Parque, por Umberto Zingoni e ainda artigos esporádicos em revistas Italianas, Brasileiras e Internet. Alerta-me variadíssimas vezes o Mestre Manuel Gonçalves que, ao contrário do que muitos criadores julgam, a maior causa de morte nos ninhos, e posteriormente, é por causas fúngicas, e não pela Colibacilose, que actualmente é de mais fácil prevenção e tratamento - e eu próprio tenho constatado isso, pelos sintomas que detecto em queixas de elevadas mortes que tenho tido de muitos criadores. De facto, esta terrível doença, que poderá "varrer" entre 55% aos 95% das ninhadas na época das criações, aparece nos filhotes como resultado da faltas dos enzimas ácidos no Proventriculo, originando a sua inflamação, sendo então visível o famoso "pontinho negro" do tamanho de uma cabeça de alfinete, sobre a região do fígado - está assim praticamente desvendada a origem deste pontinho, que muita mortalidade arrasta atrás de si. Como poderão também eventualmente ter observado, este "pontinho negro" aparecer mais quando os pais não dão comer, ou quando o dão mas apresentam sintomas doentios. É que, como sabe o caro amigo leitor, as aves preparam no papo uma papa especial onde produzem os tais enzimas ácidos necessários à sobrevivência dos seus filhotes, e na ausência desta "paparoca", o filhote vai-se desta para... pior. Daí, quando damos a "palitada" ou a "seringada", devemos adicionar um Probiótico à papa de cria, fornecendo desta forma também aquilo com que o Proventriculo irá produzir; os enzimas necessários a uma boa digestão das proteínas - afinal é tão simples não é ! - É como o Ovo de Colombo, que só nos lembramos quando os outros o dizem. Claro que, normalmente à Proventriculite estarão já associadas outras doenças "normais" das aves, como a Colibacilose, Salmonelose e Candida Albicans, daí, será sempre necessário a associação de um triplo antibiótico, na papa de criação, para completar a acção dos Probióticos, particularmente indicada aos progenitores, afim de estes serem "limpos" de qualquer uma das doenças atrás referida.
Em Itália a Proventriculite é conhecida pela "crise do
sétimo dia", causada eventualmente por uma megabactéria ou um microrganismo, ao
certo não se sabe ainda, mas ao que parece e por estudos mais recentes, esta
"moléstia" poderá estar condicionada pela MICLOPLASMOSE, que diminui as
resistências das aves abrindo caminho para a proliferação da suposta megabactéria.
Poderá o caro amigo leitor começar a tirar conclusões, que o
levarão com certeza a ter muito mais respeito por esta doença. FALEMOS UM POUCOS DOS SINTOMAS MAIS USUAIS. No embrião:
Nos Filhotes:
Nas aves adultas:
Claro será que em uma só aves estes sintomas não se
manifestam todos em conjunto, poderá observar-se uma grande parte deles ao mesmo tempo.
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